Para entender a vida
não-vida
parece batido
parece banal
poucos abrem as carnes
e não as comem
e menos ainda
o fazem com desgosto e curiosidade
sem saber escolher qual lhe quer mais.
chorando formol e rindo com os dentes dos outros
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
domingo, 19 de setembro de 2010
23 de Agosto
E triste,
em seu choro desflorador
parecia as palavras que
- até então - não pareciam suas. Foi soltando como barro os punhados de amor putrefato que se acumulava nos rins e eu via a janela do computador refletida em sua pele mal querida
E linda,
era tão sua que parecia um poema.
Um poema em prosa.
24 de Agosto
A tristeza das minhas alegrias
é matéria bruta
é matéria prima
é o que move e o que mata a minha rima-poesia
E triste,
em seu choro desflorador
parecia as palavras que
- até então - não pareciam suas. Foi soltando como barro os punhados de amor putrefato que se acumulava nos rins e eu via a janela do computador refletida em sua pele mal querida
E linda,
era tão sua que parecia um poema.
Um poema em prosa.
24 de Agosto
A tristeza das minhas alegrias
é matéria bruta
é matéria prima
é o que move e o que mata a minha rima-poesia
sábado, 7 de agosto de 2010
poema ideal (a princípio)
Quero ver se me arranhavas-me
Sim, sinto as mordidas contra o vento
(a lógica não merece elogiosé óbvia, reta, enfadonha)
Desvarios-diamantes, brilhos
olhos ofuscantes
não aguentaria
encarar a verdade
as sinuosas intenções por trás dos gestos
por trás do vidro
que me fita sem dizer palavra ou alma
mas que adivinho
(cândido masoquista)
da forma mais convenientemente errada possível
deixo o sono me trazer de volta ao mundo
que sonho que sinto que sou
do qual eu saio pra atuar em carne
até que exausto
ganho direito a passagem
volta as brumas
em minha casa
estou
rest ou
restou
ou...
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Dilá
Vim falar do morto que me incomoda o sono
rolando no caixão a zombar da terra que lhe joguei [por cima
Vim falar do sexo quente diamor frio
alegria cansada da qual não se desgruda um peito [desmamado
mas o leve atmosférico levitou a mim
vou deixar os temas pesados
.................no chão.............
e
dormir
..................................
no teto
feliz de mim,
acredito no que me dizem
é muito, claro. demais.
mas por hoje
é na medida
agradecimento
sem obrigação
de eu
todo seu
nosso
lugar comum
o (bom) dia
rolando no caixão a zombar da terra que lhe joguei [por cima
Vim falar do sexo quente diamor frio
alegria cansada da qual não se desgruda um peito [desmamado
mas o leve atmosférico levitou a mim
vou deixar os temas pesados
.................no chão.............
e
dormir
..................................
no teto
feliz de mim,
acredito no que me dizem
é muito, claro. demais.
mas por hoje
é na medida
agradecimento
sem obrigação
de eu
todo seu
nosso
lugar comum
o (bom) dia
domingo, 30 de maio de 2010
azul carmim
leve manhã de cobertas
como é fácil despertar
o corpo não pesa
a memória não castiga
o peito não afoga
o mundo enfim
um bom lugar
braços intermunicipais
vão saltitantes
meu palíndromo abraçar
prevê o presente
explica os viveres
com palavra, melodia
com vida sua
passo seu
estrada minha
destino nosso
dois ser no mesmo lugar
de tão sutil abrir os olhos
perdi toda a carga poética
meu drama particular
aluguei vendi ou doei
tirei do sótão, limpei
me desfiz do que fazia estas palavras
...
...
que outras fontes encontrarei?
...
...
não sei.
...
...
melhor uma vida sem arte
que a dor das crias
esmirradas e tolas
que aos outros dediquei
se biólogo
se ator
se palhaço
ou escritor
homo felix
viver-me-ei
como é fácil despertar
o corpo não pesa
a memória não castiga
o peito não afoga
o mundo enfim
um bom lugar
braços intermunicipais
vão saltitantes
meu palíndromo abraçar
prevê o presente
explica os viveres
com palavra, melodia
com vida sua
passo seu
estrada minha
destino nosso
dois ser no mesmo lugar
de tão sutil abrir os olhos
perdi toda a carga poética
meu drama particular
aluguei vendi ou doei
tirei do sótão, limpei
me desfiz do que fazia estas palavras
...
...
que outras fontes encontrarei?
...
...
não sei.
...
...
melhor uma vida sem arte
que a dor das crias
esmirradas e tolas
que aos outros dediquei
se biólogo
se ator
se palhaço
ou escritor
homo felix
viver-me-ei
sábado, 22 de maio de 2010
de nada além
olha eu
mutando aos poucos meu dna.
sou mais estranho do que me supõem
tenho desejos mais ordinários
sentimentos basais
meus cromossomos sabem
mas não revelam
enovelam
brincam de ser
sem dizer
nem pra mim
fico tentado
afrouxo um octômero
perco os outros que havia
encontro tudo novo
diferente do que repeti
sempre sempre
até acreditar em mim
cuidado não tente não entre não faça questão
entrar é fácil
interações não faltam
novelo macio e derretente
cuidado cuidado
não
se
joga
se
não
não
se
sai
só fica se quiser
não entra pra chorar meu peito todo
novelo encharcado
pesa mais
morre mais
desiste fácil
suja à toa
mutando aos poucos meu dna.
sou mais estranho do que me supõem
tenho desejos mais ordinários
sentimentos basais
meus cromossomos sabem
mas não revelam
enovelam
brincam de ser
sem dizer
nem pra mim
fico tentado
afrouxo um octômero
perco os outros que havia
encontro tudo novo
diferente do que repeti
sempre sempre
até acreditar em mim
cuidado não tente não entre não faça questão
entrar é fácil
interações não faltam
novelo macio e derretente
cuidado cuidado
não
se
joga
se
não
não
se
sai
só fica se quiser
não entra pra chorar meu peito todo
novelo encharcado
pesa mais
morre mais
desiste fácil
suja à toa
quinta-feira, 13 de maio de 2010
os sinais
os passos que já eram pequenos e lentos pra dar tempo de falar tudo foram se alongando até as pernas perderem o sentido - seguindo o exemplo de todo o resto, que o havia perdido no último sinal vermelho. Esmiucei cada palavra com gilete e pinça, deixei secar na luz da lupa de tanto olhar para tudo o que se disse naqueles décimos de segundo, sem perceber que certas verdades são tão pequena que não se enxerga, mas tão densas que quando se jogam sobre nós imobilizam até a vontade de levantar, toda resistência parece ridícula e obsoleta.
eu que pedi. é para o melhor. agora vou melhorar, eu sei. nada disso ameniza o sabor das imagens que se formaram em mim, das coisas que ocorrem lá longe como se me fossem insensíveis e depois chegam em maremotos já podres de tão velhos e rastejantes. quando olhei praquelacara sorridente linda gentil estúpida que vontade de matar matar mesmo pegar o piano e dobrar em cima das suas belezas como se não fosse nada como se acontecesse todo dia e deixar lá propróximo que chegar decidir se continua valendo a pena pra mim vale claro mas matei você em música e carvalho pra lembrar de tudo e lembrando me obrigar a esquecer. se possível.
vai logo não precisa fazer sala eu vou destruir os móveis mesmo jogar o retrato no fogo sufocar com travesseiro; as esperanças que alimentei com salada pra crescerem fortes agora precisam de chumbo, muito chumbo. Deixa as palavras na mesa que eu recolho pra você pode deixar que eu arrumo a bagunça não se preocupa você nem sabe mesmo aonde moram esses sonhos vai pra casa que da proxima vez que passar nessa alameda você nem vai perceber mas vai ter um abismo no número 2604; e uma placa de vende-se.
eu que pedi. é para o melhor. agora vou melhorar, eu sei. nada disso ameniza o sabor das imagens que se formaram em mim, das coisas que ocorrem lá longe como se me fossem insensíveis e depois chegam em maremotos já podres de tão velhos e rastejantes. quando olhei praquelacara sorridente linda gentil estúpida que vontade de matar matar mesmo pegar o piano e dobrar em cima das suas belezas como se não fosse nada como se acontecesse todo dia e deixar lá propróximo que chegar decidir se continua valendo a pena pra mim vale claro mas matei você em música e carvalho pra lembrar de tudo e lembrando me obrigar a esquecer. se possível.
vai logo não precisa fazer sala eu vou destruir os móveis mesmo jogar o retrato no fogo sufocar com travesseiro; as esperanças que alimentei com salada pra crescerem fortes agora precisam de chumbo, muito chumbo. Deixa as palavras na mesa que eu recolho pra você pode deixar que eu arrumo a bagunça não se preocupa você nem sabe mesmo aonde moram esses sonhos vai pra casa que da proxima vez que passar nessa alameda você nem vai perceber mas vai ter um abismo no número 2604; e uma placa de vende-se.
domingo, 9 de maio de 2010
Não entendi.
Dormi traquilamente, anjo sonhador.
Acordei mais cruel
que os que
sem pensar
me arrancam pedaços
Eu olhava o horizonte a procura de pontuações
extintas
nas minhas reticências se formou buraco
chegou semente
germinou.
Perdão, alma cara.
Quando achei que - pela primeira vez
consegui sorver o momento
nesse instante alguém sonhava
e vivia. e desmoronava
O desejo de Pierrot
sempre foi devorar o coração Arlequiano se transformar no próprio. Não sabe, sabe não, que este coração tem gosto amargo e envenena, faz mal maltratá-lo. Lógica sentimental absurda: quando da seu coração de mão aberta à Pierrot, é o próprio palhaço triste escondido que oferta. Então no desespero da realização, o pobre palhaço da vida estraçalha seu próprio miocárdio; o outro lado, que paricia confortável e frio, é doloroso pra quem não está acostumado a sua insensibilidade; espelhar deixou tudo trocado. O mau, porém, não se fez bom.
Achei que tinha aprendido o que é trágico com Nelson, mas o desejo realmente sabe se impor acima e além, nos cantos mais escuros e dobras de lençol. Cuidado, Pierrot! Seu pranto alivia, mas quem chora sente o peso das lágrimas que faz derramar.
Dormi traquilamente, anjo sonhador.
Acordei mais cruel
que os que
sem pensar
me arrancam pedaços
Eu olhava o horizonte a procura de pontuações
extintas
nas minhas reticências se formou buraco
chegou semente
germinou.
Perdão, alma cara.
Quando achei que - pela primeira vez
consegui sorver o momento
nesse instante alguém sonhava
e vivia. e desmoronava
O desejo de Pierrot
sempre foi devorar o coração Arlequiano se transformar no próprio. Não sabe, sabe não, que este coração tem gosto amargo e envenena, faz mal maltratá-lo. Lógica sentimental absurda: quando da seu coração de mão aberta à Pierrot, é o próprio palhaço triste escondido que oferta. Então no desespero da realização, o pobre palhaço da vida estraçalha seu próprio miocárdio; o outro lado, que paricia confortável e frio, é doloroso pra quem não está acostumado a sua insensibilidade; espelhar deixou tudo trocado. O mau, porém, não se fez bom.
Achei que tinha aprendido o que é trágico com Nelson, mas o desejo realmente sabe se impor acima e além, nos cantos mais escuros e dobras de lençol. Cuidado, Pierrot! Seu pranto alivia, mas quem chora sente o peso das lágrimas que faz derramar.
sábado, 1 de maio de 2010
Telegrama
Um dia
canso
de subentender a vida
e lhe pergunto a queima-roupa
Valeu-te algo minha boca?
restou pegada pouca
amarrotado na sua roupa
dos delírios que rocei em suas costas?
Da respota
destino
choro ou riso
mas
alívio
diagora: origens
poeta, perdido, parido
ornitorrinco, neruda, chico
pierrot, amigo, repetidamente desiludido
As serras guardam tesouros
e agouros
os limões novidades
incompreensíveis
serrou-me a perna
teu nome na tela
a culpa é tua
culpa
mea
tolice do sem fim
meu pé de laranja lima
sempre errado
adianta a hora, chega atrasado
só tem por certo
de tão diferente
a auto-polinização.
amigo do vento
amigo da água
dos insetos, dos homens, morcegos,
dos deuses anti-heróis.
só lhe falta um pé
que entrelace os dedos em suas raízes
compartilhe água e intempérie.
Ah, coração temporão
ninguém entende seu compasso
nem por isso me desfaço
das flores aflitas
que sonham visitas
desafià
evolução
Um dia
canso
de subentender a vida
e lhe pergunto a queima-roupa
Valeu-te algo minha boca?
restou pegada pouca
amarrotado na sua roupa
dos delírios que rocei em suas costas?
Da respota
destino
choro ou riso
mas
alívio
diagora: origens
poeta, perdido, parido
ornitorrinco, neruda, chico
pierrot, amigo, repetidamente desiludido
As serras guardam tesouros
e agouros
os limões novidades
incompreensíveis
serrou-me a perna
teu nome na tela
a culpa é tua
culpa
mea
tolice do sem fim
meu pé de laranja lima
sempre errado
adianta a hora, chega atrasado
só tem por certo
de tão diferente
a auto-polinização.
amigo do vento
amigo da água
dos insetos, dos homens, morcegos,
dos deuses anti-heróis.
só lhe falta um pé
que entrelace os dedos em suas raízes
compartilhe água e intempérie.
Ah, coração temporão
ninguém entende seu compasso
nem por isso me desfaço
das flores aflitas
que sonham visitas
desafià
evolução
quarta-feira, 28 de abril de 2010
In Memoriam - acabou o limbo
Meu Deus, essa vontade de chorar de novo! Nunca entendo porque, mas vem com a urgência das lágrimas
do mar. Algumas fotos (as mais recentes!) com as mais novas pessoas, e algum sentimento de nostalgia fresca, sem a menor lógica e sem fazer a menor questão de tal. Isso deve ser medo de ser sozinho. Quando vejo os sorrisos parados, eles se mostram muito mais felizes do que eu era então. Da uma saudade de ser assim, como não fui.
Deve ser que depois de um tempo infinito de abril com recheio de março, respirei fora daquilo que me embriagava. Quero enfiar a cabeça no pote, mas já não cabe, fico da borda fungando o que me resta. Eu que amaldiçoei tudo isso, peço por alguns dias a mais de entorpecência, e me ultrasensibilizo a procura dessas emoções viciantes que me faziam muito vivo sofredor.
Natimortos.
São mais tristes que Lady Laura, pois nunca foram, apesar de tudo o que poderiam, tudo que lhes foi sonhado. Um dia acordo e já nem lembro que sonhei. Então perco de vez toda essa linda história de faz de conta. É por ela que choro: meu cemitério de sonhos abortados.
...que medo tenho das quartas e sextas!
do mar. Algumas fotos (as mais recentes!) com as mais novas pessoas, e algum sentimento de nostalgia fresca, sem a menor lógica e sem fazer a menor questão de tal. Isso deve ser medo de ser sozinho. Quando vejo os sorrisos parados, eles se mostram muito mais felizes do que eu era então. Da uma saudade de ser assim, como não fui.
Deve ser que depois de um tempo infinito de abril com recheio de março, respirei fora daquilo que me embriagava. Quero enfiar a cabeça no pote, mas já não cabe, fico da borda fungando o que me resta. Eu que amaldiçoei tudo isso, peço por alguns dias a mais de entorpecência, e me ultrasensibilizo a procura dessas emoções viciantes que me faziam muito vivo sofredor.
Natimortos.
São mais tristes que Lady Laura, pois nunca foram, apesar de tudo o que poderiam, tudo que lhes foi sonhado. Um dia acordo e já nem lembro que sonhei. Então perco de vez toda essa linda história de faz de conta. É por ela que choro: meu cemitério de sonhos abortados.
...que medo tenho das quartas e sextas!
sábado, 17 de abril de 2010
Cálcio
Fico pensando num jeito de dizer;
jeito - palavra que nunca me coube
que gosto de tudo mesmo;
é disso que não gosto mais.
Quando encaro seus pés
lindamente feios
eles te humanizam
me fazem ainda mais insecto.
Se me pisasse
com dolorosas viradas de twist
ou de vez e de surpresa
eu acharia muito
muito
bom.
Hoje eu caminhei a avenida
arrastando os ossos
cantando os vazios
reverberar era fácil
hoje eu sentei na escada
fiquei de cara comigo
mas eu não me olhei de frente
suas falanges me hipnotizaram
hoje eu chorei com deus
minúsculo que estava
escondido de dentro;
barganhei algumas horas
de sensatez.
Mas você veio
metendo o tarso onde não devia
descumprindo promessas bestas
tirando meus pés do chão
repousando meus olhos nos seus
deslevitando-me de ponta cabeça
Por favor,
se não pretende consumir
se retire.
jeito - palavra que nunca me coube
que gosto de tudo mesmo;
é disso que não gosto mais.
Quando encaro seus pés
lindamente feios
eles te humanizam
me fazem ainda mais insecto.
Se me pisasse
com dolorosas viradas de twist
ou de vez e de surpresa
eu acharia muito
muito
bom.
Hoje eu caminhei a avenida
arrastando os ossos
cantando os vazios
reverberar era fácil
hoje eu sentei na escada
fiquei de cara comigo
mas eu não me olhei de frente
suas falanges me hipnotizaram
hoje eu chorei com deus
minúsculo que estava
escondido de dentro;
barganhei algumas horas
de sensatez.
Mas você veio
metendo o tarso onde não devia
descumprindo promessas bestas
tirando meus pés do chão
repousando meus olhos nos seus
deslevitando-me de ponta cabeça
Por favor,
se não pretende consumir
se retire.
terça-feira, 13 de abril de 2010
_¨___
Cansei. Cansei mesmo. Isso obviamente não quer dizer que tudo acaba aqui. Mas chegar vazio em uma casa vazia é como constatar que o universo é, em verdade, vácuo. Agradeço sentido a todos os abraços que me empurram quase resistente para alguma alegria, mas queria saber maldizer os braços que não me abraçam ou que, quando fazem, deixam toda a intensa intenção (re)querida faltar. Se sem permissão passei a ver o mundo com seus olhos, diz: como é que hei de enxergar, se suas lentes não me aceitam a visão?
Feiticeiros... Quem dera!
Verdes e sós, como o cactos do sertão.
Só não me olhe, é tudo o que ainda ouso pedir. Quem sabe um dia eles desistem e voltam para casa, para suas próprias órbitas inpreenchivelmente vazias.
Casa vazia
rosto vazio
pessoa coisa,
vida perdida;
da-me um beijo
recebe-me inteiro
deseja-me mesmo que feio
decida-se agora mesmo.
deixa pra lá
são só as minhas esperanças retirantes
ficam esperando a chuva
pra voltar
brotar da terra seca
morrer de fome
amar de novo tudo aquilo
que não presta. e não se
presta a renegar ou alimentar;
janto as migalhas de atenção.
Quando eu for mais forte,
e pegar de vez o trem pra longe
você chega na estação
seis segundos atrasados
é por isso que eu fico
é por isso que eu não fujo
pra fazer um final feliz
pra fazer você feliz
pra saber que enfim
você lembrou que era ontem
que eu partia
e sentiu vontade de voltar no tempo.
Parei ele só pra você. Agora não demora.
Feiticeiros... Quem dera!
Verdes e sós, como o cactos do sertão.
Só não me olhe, é tudo o que ainda ouso pedir. Quem sabe um dia eles desistem e voltam para casa, para suas próprias órbitas inpreenchivelmente vazias.
Casa vazia
rosto vazio
pessoa coisa,
vida perdida;
da-me um beijo
recebe-me inteiro
deseja-me mesmo que feio
decida-se agora mesmo.
deixa pra lá
são só as minhas esperanças retirantes
ficam esperando a chuva
pra voltar
brotar da terra seca
morrer de fome
amar de novo tudo aquilo
que não presta. e não se
presta a renegar ou alimentar;
janto as migalhas de atenção.
Quando eu for mais forte,
e pegar de vez o trem pra longe
você chega na estação
seis segundos atrasados
é por isso que eu fico
é por isso que eu não fujo
pra fazer um final feliz
pra fazer você feliz
pra saber que enfim
você lembrou que era ontem
que eu partia
e sentiu vontade de voltar no tempo.
Parei ele só pra você. Agora não demora.
domingo, 11 de abril de 2010
ONDE ESTARÁ LORENA?
por marcos e zocrato
Onde andará morena?
Sua fuga é boba
Sua razão se embebeda
os seus pesares dão pena
Minha grande rima
da risada forte
seu olhar me fura
de incerteza plena
na areia se infiltra
filtra; oceano de não nadar.
Das porcarias humanas
se enche. Morre. Envenena'mar
As ostras não falam
as ostras se fecham
de medo das outras
de medo da pérola
sua culpa é chumbo
diluído em sangue
do azul cruel
de existir a penas
seu zelo é mundo
enfermo sem descanso
do acaso fiel
de alegrias pequenas
Das amoras sei o tempo
Dos amares sua teima
o dia amanhece insosso
falta abraço de maizena
do apelo sem chance,
Dia brando
poesia amena. Lembra
a beleza bonita
e a espera (presente)
do futuro:
presença
volta lorena
sei que suas costas doem
peso muito
que escolheu carregar
volta
que massagem é bom
carinho muito
simplesmente puro estar
terça-feira, 6 de abril de 2010
estrofes diversas do mesmo
Fico deitado na cama
fingindo não existir
(dis)torcendo pro mundo passar
sem me notar
Um homem simples espelhava meus olhos
Mirei no fundo
não entendi.
Perdi minha simplicidade
junto com a risada da infância.
Tem dias que eu não creio
em uma palavra do que digo.
Mas não se deixa um coração
de molho.
Apodrece.
segunda-feira, 29 de março de 2010
aéreo
Tua roupa tem seu cheiro
teu cheiro tem seu cheiro
tua boca (claro!) tem seu cheiro,
aquoso e seco.
Vou me perfumar com sua essência;
biopirataria não é crime
segundo as leis do coração.
Vale mais uma memória que a liberdade
sentimental
teu cheiro tem seu cheiro
tua boca (claro!) tem seu cheiro,
aquoso e seco.
Vou me perfumar com sua essência;
biopirataria não é crime
segundo as leis do coração.
Vale mais uma memória que a liberdade
sentimental
quinta-feira, 25 de março de 2010
Anil
Antes de, 23 de Março
Desesperadora mente inconseqüenteNão diz o que sente
Mente, descarada mente,
a incontrolável psicopata.
Neste teclado, Agora
Amadíssimo Palíndromo,Não pude deixar de observar os louros que recebes agora por sua bravura perante as pequenezas da alma. No ponto crítico da batalha, largaste o elmo, o escudo, e as armas para se jogar nu, de bandeira em punho, nos terrenos hostis, traiçoeiros por permanecerem ocultos aos olhos de quem os vê com receio.
Queria ter o seu talento, transformando afeto em poesia do singular. Mas não surgindo esta obra, fica o meu sentimento de orgulho, pois você foi forte por todos nós. Esconder o (para alguns) inimaginável não foi tarefa difícil, embora singelamente perfuro-cortante. Mas, da bruta fragilidade retirar amazona destemida é lindo, meigo e digno de glória.
Que o calor forte do teu sol acorde todos os guerreiros das cavernas, e que saiam - como Seu Tiago - a luz e a luta, pois a vida é curta e a espera pode ser eterna.
Beijíssimos de alma a alma,
Última Letra
quarta-feira, 17 de março de 2010
Tumzão
Bateu.
Não sei donde vem,
tem tanta pressa que nem se anuncia.
tem apelo riso: ama!
Vontade cosquinhenta de abraçar forte
enterrar cabeças no peito
ser por todos sorriso e bem.
Fica, ó quentura!
Não me deixa secar em deboche
fixar em desespero só
Ajuda! Seguir o mantra,
razão maior desta vida:
seja feliz, seja muito feliz.
Amém
Não sei donde vem,
tem tanta pressa que nem se anuncia.
tem apelo riso: ama!
Vontade cosquinhenta de abraçar forte
enterrar cabeças no peito
ser por todos sorriso e bem.
Fica, ó quentura!
Não me deixa secar em deboche
fixar em desespero só
Ajuda! Seguir o mantra,
razão maior desta vida:
seja feliz, seja muito feliz.
Amém
quinta-feira, 4 de março de 2010
Meus
Deus,
Obrigado por eles. Não quero entrar na metafísica de sua existência, justiça ou papel social; venho apenas agradecer o presente, mesmo que as vezes, em ironia, esse lhe seja maldizente. Lembra quando eu era pequeno? Ficava acuado em meu orgulho, com medo de abandonar a superioridade me misturando, pois assim seria frágil perante os dedos apontados (dedos estes as vezes melequentos e ridículos - mas que estrago pareciam poder fazer!).
Nesta época chegou grudento o primeiro deles, e antes que eu dissesse não, fez uso capião de meu 64. Poderia discursá-los absolutamente todos (os seres atemorizados sabem contar os segundos), mas enfadonho seria - e se realmente tudo vede, perderíamos ambos nosso tempo, e me deste pouco deste por estas bandas. Quando vier a sugestão cardíaca, dissecarei individualmente estes curiosos espécimes. Por hoje, basta dizer que (graças a Deus!) foram vários e sublimes.
O que vejo de mais precioso, e sempre me rio bobo sem querer quando repercebo, é que por mais em mim que os tenha, são absolutamente não meus. É no livre-arbítrio (outro regalo Vosso) que tenho donde agradecer; muito se disse, se riu e si triste, e sem que qualquer um de nós viesse a adivinhar ou impedir, criou-se o laço ou, melhor dizendo, o nó, que mesmo em incômodo ou desencontro, não será por nenhum santo desfeito.
Me perdoe a pieguice (como não ser óbvio diante da eterna sabedoria?), mas por estes diem carpediae, Senhor, muito obrigado.
Obrigado por eles. Não quero entrar na metafísica de sua existência, justiça ou papel social; venho apenas agradecer o presente, mesmo que as vezes, em ironia, esse lhe seja maldizente. Lembra quando eu era pequeno? Ficava acuado em meu orgulho, com medo de abandonar a superioridade me misturando, pois assim seria frágil perante os dedos apontados (dedos estes as vezes melequentos e ridículos - mas que estrago pareciam poder fazer!).
Nesta época chegou grudento o primeiro deles, e antes que eu dissesse não, fez uso capião de meu 64. Poderia discursá-los absolutamente todos (os seres atemorizados sabem contar os segundos), mas enfadonho seria - e se realmente tudo vede, perderíamos ambos nosso tempo, e me deste pouco deste por estas bandas. Quando vier a sugestão cardíaca, dissecarei individualmente estes curiosos espécimes. Por hoje, basta dizer que (graças a Deus!) foram vários e sublimes.
O que vejo de mais precioso, e sempre me rio bobo sem querer quando repercebo, é que por mais em mim que os tenha, são absolutamente não meus. É no livre-arbítrio (outro regalo Vosso) que tenho donde agradecer; muito se disse, se riu e si triste, e sem que qualquer um de nós viesse a adivinhar ou impedir, criou-se o laço ou, melhor dizendo, o nó, que mesmo em incômodo ou desencontro, não será por nenhum santo desfeito.
Me perdoe a pieguice (como não ser óbvio diante da eterna sabedoria?), mas por estes diem carpediae, Senhor, muito obrigado.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Para saber de mim, é preciso conhecer este que é um dos meus Nortes. Prestando uma atenção sincera, saberá que as vezes o declamo em picotes - como foi-me apresentado. Sem mais delongas, o hino da não-obediência.
Cântico negroJosé Régio"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
a muralha
cartas na mesa.
Mais uma vez as palavras
secretos murmurios d'alma
livros de entrelinhas.
De volta o ouvido no muro
perante qualquer sinal de vida
como se o eco das paredes
fosse explicar o universo
Sanidade, vá para o quarto
(não quero que assista a essa cena)!
ninguém contou
tudo o que se perde na esperança
de encontrar
.
.
.
.
.
.
você
Mais uma vez as palavras
secretos murmurios d'alma
livros de entrelinhas.
De volta o ouvido no muro
perante qualquer sinal de vida
como se o eco das paredes
fosse explicar o universo
Sanidade, vá para o quarto
(não quero que assista a essa cena)!
ninguém contou
tudo o que se perde na esperança
de encontrar
.
.
.
.
.
.
você
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