sábado, 13 de setembro de 2008

Basta um dia

O mundo quer desabar em cima de mim. Parece que as horas se enrolam em cansaço e desilusão. Tenho tantos motivos para reclamar, para me afundar na tristeza lamacenta de ser um condenado, um sofredor... Mas não quero.
Não sei dizer se foi a brisa (aquela brisa amiga das manhãs sufocantes) ou se a lua que despertou, sem cerimônia, a idéia louca de sorrir para a vida. Um desejo louco de dizer "bom dia!", abraçar árvores, cantar no banho e olhar para o Céu de Brigadeiro agradecido. Me lembro agora daquele momento:
Era Sexta-feira, um dia que por si só me trazia mescladas boas e dolorosas memórias, inseparáveis pela minha própria essência. Andava cabisbaixo, me ressentia por quase nada e jogava sorrisos amarelos de cortesia. Reclamava à toda oportunidade. As escolhas alheias pareciam piorar o que já não me cabia de ruim. Desconsolo, choro, sentimentos desquitados, contribuindo para meu desânimo de viver.
Um pequeno festejo de pessoas sorridentes, mas não parecia pra mim. A crueldade é recíproca, e se alimenta de si mesma, no outro. Isso machucou ainda mais minha crença na paz. Já atrasado, passei por aquele lugar de tantas horas, e quis muito uma parte daquele passado. Comprei o maior pedaço à venda; tinha gosto de açúcar e empanzinamento, mas suguei até o final, afinal os desesperados também tem suas tolas esperanças. Mas no meio daquela turbulenta tentativa de sorrir sincero, entendi (novamente) minha ideologia de felicidade. Bastou um pensamento para que meus lábios se movimentassem, levados pela alegria espontânea que brotava em mim, mais uma vez aguada de atenção e carinho; meu carinho.
Quando eu voltar a me vestir de negro e lamentar minhas fatalidades (o que um dia fatalmente acontecerá), me conte dos pássaros e das flores, do ar e da água, e me mostre a mim mesmo, mesmo não querendo ver. Sou espelho das minhas próprias escolhas, que não reflete mais do que é, bom e ruim. Se me apontar a realidade da alma...
Eu escolho ser feliz.

sábado, 6 de setembro de 2008

Enfadonho dia ordinário

Vulgaridades.A vida vai puxando forte e eu sem coragem de pedir pra parar. Vou me deixando levar. Não me entenda mal se já não corro afobado com aquele brilho no olhar - estes momentos são raros - já que a realidade, antes cimento mole moldado por nossas pegadas, endureceu; seguimos pesados e presos a compromissos que não nos realizam, arrastados por coisas que não compreendemos, nascidas muito antes de nós, cercados de concorrência. Onde estão meus irmãos?
A moça de boca torta me explica o empuxo. É inútil, uma vez que estas forças sociais (externas e internas) que me levam não me elevam, se direcionam maquinalmente para frente. Esse ar está repleto de sonhos Doutores; serão humanos? Não creio: cegos, monetários e orgulhosos. Poucos amigos atrás do cavanhaque (com ou sem bigode).
De fato, descobrir que tive a pior nota de matemática da sala. Quando faço repetições, minha prova não as reflete, o que desculpa minha consciência dessa desatenção. "Cânetas não são nada didácticas" me disseram, mas tão importante pra mim quanto o resultado, são os erros. As cicatrizes me protegem.
Das semanas que passam em alta velocidade, ficam o cansaço e algumas risadas. De repente, sem explicação, um brisa me reanima no corredor. A natureza tem mistérios e belezas muito além da minha compreensão. Compreendo, porém, subitamente, como se pode "sorver em grandes haustos a manhã".
Tanto minha escassa habilidade, quanto meu estado de espírito pesaram estas palavras. Quem sabe um dia, num Abril azulado, ei de fazer um texto lindo de sentir. Deitarei extasiado em suas páginas e, como minhas sinceras asas, voarei.


PS: Enquanto digitava já pretendia pedir desculpas, pois este texto, ainda que publicável, estava enfadonho. Vejo que já sabia disso enquanto escrevia, e me chateei com aquele dia tanto como autos quanto como leitor.
Babylon Portuguese-English
montar
v. set up, assemble; mount, reach; pitch; ride