sábado, 6 de setembro de 2008

Enfadonho dia ordinário

Vulgaridades.A vida vai puxando forte e eu sem coragem de pedir pra parar. Vou me deixando levar. Não me entenda mal se já não corro afobado com aquele brilho no olhar - estes momentos são raros - já que a realidade, antes cimento mole moldado por nossas pegadas, endureceu; seguimos pesados e presos a compromissos que não nos realizam, arrastados por coisas que não compreendemos, nascidas muito antes de nós, cercados de concorrência. Onde estão meus irmãos?
A moça de boca torta me explica o empuxo. É inútil, uma vez que estas forças sociais (externas e internas) que me levam não me elevam, se direcionam maquinalmente para frente. Esse ar está repleto de sonhos Doutores; serão humanos? Não creio: cegos, monetários e orgulhosos. Poucos amigos atrás do cavanhaque (com ou sem bigode).
De fato, descobrir que tive a pior nota de matemática da sala. Quando faço repetições, minha prova não as reflete, o que desculpa minha consciência dessa desatenção. "Cânetas não são nada didácticas" me disseram, mas tão importante pra mim quanto o resultado, são os erros. As cicatrizes me protegem.
Das semanas que passam em alta velocidade, ficam o cansaço e algumas risadas. De repente, sem explicação, um brisa me reanima no corredor. A natureza tem mistérios e belezas muito além da minha compreensão. Compreendo, porém, subitamente, como se pode "sorver em grandes haustos a manhã".
Tanto minha escassa habilidade, quanto meu estado de espírito pesaram estas palavras. Quem sabe um dia, num Abril azulado, ei de fazer um texto lindo de sentir. Deitarei extasiado em suas páginas e, como minhas sinceras asas, voarei.


PS: Enquanto digitava já pretendia pedir desculpas, pois este texto, ainda que publicável, estava enfadonho. Vejo que já sabia disso enquanto escrevia, e me chateei com aquele dia tanto como autos quanto como leitor.
Babylon Portuguese-English
montar
v. set up, assemble; mount, reach; pitch; ride

Um comentário:

Carolina Arantes disse...

Seu texto pinga de cansado. Não se afobe não, descanse. Ora essa! Nunca foi assim, sempre se excluiu dessas selvagerias competitivas metais. Não vejo tédio e não se preocupe caso haja algum...ler foi escolhido. Subjetividade que talvez complique o original sentido.
Aqui, mais que um ombro e muito mais que raízes.
beijos mil