segunda-feira, 2 de maio de 2011

dia-a-dia

sabe aquele dia?


Ceci passou correndo pelos arbustos asteráceos que vieram sem pedir licença, que ousaram o laranja petalóide que Ceci espalhou, tamanhã a força de sua pressa. Ia contar pra Eli bobagens de moda que lera numa revista de páginas amarelas não envelhecidas - que nem envelheceriam, tamanho o peso da pressa das roupas novas sobre as antigas novas - as mesmas páginas que lia Carolina na grama esquentada de amarelo pelo sol daquele dia (seria o mesmo sol de cada dia?), ela que tudo ouvia mas de tanto não queria não sabia do calhambeque antes azul - agora com mechas amarelas, tamanho o desrespeito da pressa do tempo - que barulhentava a grama e a casa na frente de suas costas, das pessoas que davam as costas para a casa e se achegavam de suas costas, sem notar-lhe as cores ou sem fazer questão, passando por sua frente e desaparecendo de sua não percepção. Gramínia que era, reparou com surpresa intuição quando pedaços laranjas de um indivíduo despetalado lhe caíram nas páginas amarelas de brilho falso, e fechou devegar as roupas recentemente novas que assistia, com a pressa que lhe dera a impaciência de ver e rever e ser revista com os mesmos olhos e as mesmas listras, de nada lhe esquentar a alma como o sol lhe esquentara as vistas, de confirmar sua não crença no todo, na parte e nos pares, estes últimos com a pressa desesperada do silêncio que sabia seria aquela noite no quarto de dormir quando a lua lhe aparecesse, sozinha (encontraria a Lua, algum dia, alguém pra lhe rodopiar? Vaga rodando pela eternidade temporal, sem lembrar saber fazer mais nada da vida, nunca correspondida pelo centro de seu universo, raramente observada por alguma célula distraída que olha pra fora, admira sua solidão pálida. Ela crê e não sabe parar, segue rodeando o azul com a pressa de quem espera, com a certeza não embasada de um dia - aquele dia? - tudo mudar) - suspirou. O ar entrou e saiu mas não encheu de vida aquele corpo, deu mais uma sobrevida a aquela alma com frio que não se esquentaria naquele dia. Carolina não se podia. Queria fazer de tudo, queria ligar pra Eli, gritar pra Ceci, escrever cartas, postar na mídia, dizer aos pais e aos que se recriavam com ela: - Amo, amo, amo, amo, amo, amo, amo, amo! Mil vezes amo e já não me sinto aflita! - e quando assim pensava respirava um pouco as energias que se lhe eram oferecida. Tinha pressa de se mostrar agradecida, pressa parada de quem não se permite a alegria, de quem espera calmamente que passe a vontade de agir e passe o dia - em branco -, de ignorar o arco-íris que lhe deu na telha e lhe encheu a vista, e sem ligar, sem gritar, sem dizer, publicar ou abraçar, deixou de sorrir nas idéias e se foi pra sombra, esperar a noite, olhar pela janela e se sentir vazia. E ao se horizontalizar em branco com bolinhas (que na escuridão não se via) se perguntava com pressa brutal de ser respondida:



Porque se sentia vazia?