leve manhã de cobertas
como é fácil despertar
o corpo não pesa
a memória não castiga
o peito não afoga
o mundo enfim
um bom lugar
braços intermunicipais
vão saltitantes
meu palíndromo abraçar
prevê o presente
explica os viveres
com palavra, melodia
com vida sua
passo seu
estrada minha
destino nosso
dois ser no mesmo lugar
de tão sutil abrir os olhos
perdi toda a carga poética
meu drama particular
aluguei vendi ou doei
tirei do sótão, limpei
me desfiz do que fazia estas palavras
...
...
que outras fontes encontrarei?
...
...
não sei.
...
...
melhor uma vida sem arte
que a dor das crias
esmirradas e tolas
que aos outros dediquei
se biólogo
se ator
se palhaço
ou escritor
homo felix
viver-me-ei
domingo, 30 de maio de 2010
sábado, 22 de maio de 2010
de nada além
olha eu
mutando aos poucos meu dna.
sou mais estranho do que me supõem
tenho desejos mais ordinários
sentimentos basais
meus cromossomos sabem
mas não revelam
enovelam
brincam de ser
sem dizer
nem pra mim
fico tentado
afrouxo um octômero
perco os outros que havia
encontro tudo novo
diferente do que repeti
sempre sempre
até acreditar em mim
cuidado não tente não entre não faça questão
entrar é fácil
interações não faltam
novelo macio e derretente
cuidado cuidado
não
se
joga
se
não
não
se
sai
só fica se quiser
não entra pra chorar meu peito todo
novelo encharcado
pesa mais
morre mais
desiste fácil
suja à toa
mutando aos poucos meu dna.
sou mais estranho do que me supõem
tenho desejos mais ordinários
sentimentos basais
meus cromossomos sabem
mas não revelam
enovelam
brincam de ser
sem dizer
nem pra mim
fico tentado
afrouxo um octômero
perco os outros que havia
encontro tudo novo
diferente do que repeti
sempre sempre
até acreditar em mim
cuidado não tente não entre não faça questão
entrar é fácil
interações não faltam
novelo macio e derretente
cuidado cuidado
não
se
joga
se
não
não
se
sai
só fica se quiser
não entra pra chorar meu peito todo
novelo encharcado
pesa mais
morre mais
desiste fácil
suja à toa
quinta-feira, 13 de maio de 2010
os sinais
os passos que já eram pequenos e lentos pra dar tempo de falar tudo foram se alongando até as pernas perderem o sentido - seguindo o exemplo de todo o resto, que o havia perdido no último sinal vermelho. Esmiucei cada palavra com gilete e pinça, deixei secar na luz da lupa de tanto olhar para tudo o que se disse naqueles décimos de segundo, sem perceber que certas verdades são tão pequena que não se enxerga, mas tão densas que quando se jogam sobre nós imobilizam até a vontade de levantar, toda resistência parece ridícula e obsoleta.
eu que pedi. é para o melhor. agora vou melhorar, eu sei. nada disso ameniza o sabor das imagens que se formaram em mim, das coisas que ocorrem lá longe como se me fossem insensíveis e depois chegam em maremotos já podres de tão velhos e rastejantes. quando olhei praquelacara sorridente linda gentil estúpida que vontade de matar matar mesmo pegar o piano e dobrar em cima das suas belezas como se não fosse nada como se acontecesse todo dia e deixar lá propróximo que chegar decidir se continua valendo a pena pra mim vale claro mas matei você em música e carvalho pra lembrar de tudo e lembrando me obrigar a esquecer. se possível.
vai logo não precisa fazer sala eu vou destruir os móveis mesmo jogar o retrato no fogo sufocar com travesseiro; as esperanças que alimentei com salada pra crescerem fortes agora precisam de chumbo, muito chumbo. Deixa as palavras na mesa que eu recolho pra você pode deixar que eu arrumo a bagunça não se preocupa você nem sabe mesmo aonde moram esses sonhos vai pra casa que da proxima vez que passar nessa alameda você nem vai perceber mas vai ter um abismo no número 2604; e uma placa de vende-se.
eu que pedi. é para o melhor. agora vou melhorar, eu sei. nada disso ameniza o sabor das imagens que se formaram em mim, das coisas que ocorrem lá longe como se me fossem insensíveis e depois chegam em maremotos já podres de tão velhos e rastejantes. quando olhei praquelacara sorridente linda gentil estúpida que vontade de matar matar mesmo pegar o piano e dobrar em cima das suas belezas como se não fosse nada como se acontecesse todo dia e deixar lá propróximo que chegar decidir se continua valendo a pena pra mim vale claro mas matei você em música e carvalho pra lembrar de tudo e lembrando me obrigar a esquecer. se possível.
vai logo não precisa fazer sala eu vou destruir os móveis mesmo jogar o retrato no fogo sufocar com travesseiro; as esperanças que alimentei com salada pra crescerem fortes agora precisam de chumbo, muito chumbo. Deixa as palavras na mesa que eu recolho pra você pode deixar que eu arrumo a bagunça não se preocupa você nem sabe mesmo aonde moram esses sonhos vai pra casa que da proxima vez que passar nessa alameda você nem vai perceber mas vai ter um abismo no número 2604; e uma placa de vende-se.
domingo, 9 de maio de 2010
Não entendi.
Dormi traquilamente, anjo sonhador.
Acordei mais cruel
que os que
sem pensar
me arrancam pedaços
Eu olhava o horizonte a procura de pontuações
extintas
nas minhas reticências se formou buraco
chegou semente
germinou.
Perdão, alma cara.
Quando achei que - pela primeira vez
consegui sorver o momento
nesse instante alguém sonhava
e vivia. e desmoronava
O desejo de Pierrot
sempre foi devorar o coração Arlequiano se transformar no próprio. Não sabe, sabe não, que este coração tem gosto amargo e envenena, faz mal maltratá-lo. Lógica sentimental absurda: quando da seu coração de mão aberta à Pierrot, é o próprio palhaço triste escondido que oferta. Então no desespero da realização, o pobre palhaço da vida estraçalha seu próprio miocárdio; o outro lado, que paricia confortável e frio, é doloroso pra quem não está acostumado a sua insensibilidade; espelhar deixou tudo trocado. O mau, porém, não se fez bom.
Achei que tinha aprendido o que é trágico com Nelson, mas o desejo realmente sabe se impor acima e além, nos cantos mais escuros e dobras de lençol. Cuidado, Pierrot! Seu pranto alivia, mas quem chora sente o peso das lágrimas que faz derramar.
Dormi traquilamente, anjo sonhador.
Acordei mais cruel
que os que
sem pensar
me arrancam pedaços
Eu olhava o horizonte a procura de pontuações
extintas
nas minhas reticências se formou buraco
chegou semente
germinou.
Perdão, alma cara.
Quando achei que - pela primeira vez
consegui sorver o momento
nesse instante alguém sonhava
e vivia. e desmoronava
O desejo de Pierrot
sempre foi devorar o coração Arlequiano se transformar no próprio. Não sabe, sabe não, que este coração tem gosto amargo e envenena, faz mal maltratá-lo. Lógica sentimental absurda: quando da seu coração de mão aberta à Pierrot, é o próprio palhaço triste escondido que oferta. Então no desespero da realização, o pobre palhaço da vida estraçalha seu próprio miocárdio; o outro lado, que paricia confortável e frio, é doloroso pra quem não está acostumado a sua insensibilidade; espelhar deixou tudo trocado. O mau, porém, não se fez bom.
Achei que tinha aprendido o que é trágico com Nelson, mas o desejo realmente sabe se impor acima e além, nos cantos mais escuros e dobras de lençol. Cuidado, Pierrot! Seu pranto alivia, mas quem chora sente o peso das lágrimas que faz derramar.
sábado, 1 de maio de 2010
Telegrama
Um dia
canso
de subentender a vida
e lhe pergunto a queima-roupa
Valeu-te algo minha boca?
restou pegada pouca
amarrotado na sua roupa
dos delírios que rocei em suas costas?
Da respota
destino
choro ou riso
mas
alívio
diagora: origens
poeta, perdido, parido
ornitorrinco, neruda, chico
pierrot, amigo, repetidamente desiludido
As serras guardam tesouros
e agouros
os limões novidades
incompreensíveis
serrou-me a perna
teu nome na tela
a culpa é tua
culpa
mea
tolice do sem fim
meu pé de laranja lima
sempre errado
adianta a hora, chega atrasado
só tem por certo
de tão diferente
a auto-polinização.
amigo do vento
amigo da água
dos insetos, dos homens, morcegos,
dos deuses anti-heróis.
só lhe falta um pé
que entrelace os dedos em suas raízes
compartilhe água e intempérie.
Ah, coração temporão
ninguém entende seu compasso
nem por isso me desfaço
das flores aflitas
que sonham visitas
desafià
evolução
Um dia
canso
de subentender a vida
e lhe pergunto a queima-roupa
Valeu-te algo minha boca?
restou pegada pouca
amarrotado na sua roupa
dos delírios que rocei em suas costas?
Da respota
destino
choro ou riso
mas
alívio
diagora: origens
poeta, perdido, parido
ornitorrinco, neruda, chico
pierrot, amigo, repetidamente desiludido
As serras guardam tesouros
e agouros
os limões novidades
incompreensíveis
serrou-me a perna
teu nome na tela
a culpa é tua
culpa
mea
tolice do sem fim
meu pé de laranja lima
sempre errado
adianta a hora, chega atrasado
só tem por certo
de tão diferente
a auto-polinização.
amigo do vento
amigo da água
dos insetos, dos homens, morcegos,
dos deuses anti-heróis.
só lhe falta um pé
que entrelace os dedos em suas raízes
compartilhe água e intempérie.
Ah, coração temporão
ninguém entende seu compasso
nem por isso me desfaço
das flores aflitas
que sonham visitas
desafià
evolução
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