sábado, 22 de maio de 2010

de nada além

olha eu
mutando aos poucos meu dna.
sou mais estranho do que me supõem
tenho desejos mais ordinários
sentimentos basais
meus cromossomos sabem
mas não revelam
enovelam
brincam de ser
sem dizer
nem pra mim

fico tentado
afrouxo um octômero
perco os outros que havia
encontro tudo novo
diferente do que repeti
sempre sempre
até acreditar em mim

cuidado não tente não entre não faça questão
entrar é fácil
interações não faltam
novelo macio e derretente
cuidado cuidado
não
se
joga
se
não
não
se
sai







só fica se quiser
não entra pra chorar meu peito todo
novelo encharcado
pesa mais
morre mais
desiste fácil
suja à toa

3 comentários:

marcos assis disse...

isso me lembra muito poemas antigos meus.
gostei muito, um dos que eu mais.
acho uma boa cê usar referências biológicas, ajuda a ambientar
parabéns pela estranheza e descobertas de desejos!

ana f. disse...

minha cromatina também não me diz nada. minha vida é tentar adivinhá-la ou dela fugir.

lorena disse...

ah! num sei não!
as mutações geralmente se perdem na evolução.