quinta-feira, 13 de maio de 2010

os sinais

os passos que já eram pequenos e lentos pra dar tempo de falar tudo foram se alongando até as pernas perderem o sentido - seguindo o exemplo de todo o resto, que o havia perdido no último sinal vermelho. Esmiucei cada palavra com gilete e pinça, deixei secar na luz da lupa de tanto olhar para tudo o que se disse naqueles décimos de segundo, sem perceber que certas verdades são tão pequena que não se enxerga, mas tão densas que quando se jogam sobre nós imobilizam até a vontade de levantar, toda resistência parece ridícula e obsoleta.
eu que pedi. é para o melhor. agora vou melhorar, eu sei. nada disso ameniza o sabor das imagens que se formaram em mim, das coisas que ocorrem lá longe como se me fossem insensíveis e depois chegam em maremotos já podres de tão velhos e rastejantes. quando olhei praquelacara sorridente linda gentil estúpida que vontade de matar matar mesmo pegar o piano e dobrar em cima das suas belezas como se não fosse nada como se acontecesse todo dia e deixar lá propróximo que chegar decidir se continua valendo a pena pra mim vale claro mas matei você em música e carvalho pra lembrar de tudo e lembrando me obrigar a esquecer. se possível.
vai logo não precisa fazer sala eu vou destruir os móveis mesmo jogar o retrato no fogo sufocar com travesseiro; as esperanças que alimentei com salada pra crescerem fortes agora precisam de chumbo, muito chumbo. Deixa as palavras na mesa que eu recolho pra você pode deixar que eu arrumo a bagunça não se preocupa você nem sabe mesmo aonde moram esses sonhos vai pra casa que da proxima vez que passar nessa alameda você nem vai perceber mas vai ter um abismo no número 2604; e uma placa de vende-se.

3 comentários:

ana f. disse...

pois que não seja vende-se, e sim dá-se, entrega-se... por falar nisso, escute dê, do cérebro eletrônico. se gostar, também ouça sérgio sampaio, volta. se não gostar, ouça sérgio sampaio. e, ah!, eu amo você, cutuco!

nina martins disse...

muito bom esse texto. catarse, catarse.
gritamos toda a nossa voz desse jeito.

matheus matheus disse...

aplauso no meu passo em falso!