Te fazer uma música no meio da madrugada
louco de sono
de olhos bem abertos
e delirantes
Juntas o que resta
de objetos
memórias
dignidade
e te entregar
Pegar as coincidências
ironias do destino
sua cama nova
as aparições palpitantes no meu celular
esquinas do centro da cidade
e jogar tudo pela janela
do 12o
no bueiro
do tempo-espaço
na falta de sentido
de uma noite passada a limpo
olhando pro teto
vendo você
Quem rima sabe o que vai acontecer
quando chegar ao fim do próximo verso?
Eu não sei
bastaria acabar a noite
sem preceber
conduzido por um sonho absurdo
muito mais lógico que esses dias
de ódio endêmico
amores sem-teto
colapso humanitário
É bonito isso de a tinta combinar com o esmalte
tudo tão sanguíneo
Já que sua presença insiste em rondar
noites claras de cama não acolhedora
tenha a fineza
apague a luz
me faça um cafuné
um estribilho
deite-se comigo pra diminuir o vazio.
Vem, solidão.
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
quinta-feira, 28 de julho de 2016
Madrugada
Madrugada, 28 de Julho de 2016
Todas as cartas de amor são ridículas
foi pessoa quem me disse
apenas não me informou
como deixar de escrevê-las
penso agora no livro que te dei
com dedicação
e nunca leu
vejo sua figura que chega
inesperada
a aparência mudada
quero criticar
ignorar
mas eu gosto.
Passado o desentender meu estado de calamidade
passada a indiferença ao meu desespero
te vejo, santo, a estender os braços
um gesto de quem ama sem fogo
de quem quer metades.
a compaixão do capataz
não faz aliviar a dor
Agora que te vejo sóbrio
vejo a sombra do que um dia foi
meu sonho de que um dia fosse
ou aquilo que completei
o que lhe faltava
eu tirei de mim e lhe dei
mas o que é meu só vive assim,
comigo perto.
Esta poesia eu não lhe entrego.
Ela é toda minha, ainda que ainda fale de você
o que dei está dado, o que recebi não foi cobrado.
Me esvazio de ti em tinta e papel
assim durmo mais tranquilo
sobra mais espaço na cama sem a sua memória inquieta a rolar e roubar cobertas.
Pessoa me recomendou também:
não faça como gente vulgar.
vou evitar
se te vir - e verei
dar-te-ei um abraço. E segurei, e seguirei, e seguirei
segunda-feira, 27 de junho de 2016
Jabuticaba
hoje
Te sinto cada dia mais longe
hoje cheguei em casa e o bonsai estava seco, amuado.
ele fica assim todo dia
e todo dia alguém precisa colocar um pouquinho de água
um pouquinho, porque se não escorre
um pouquinho, porque se não morre
todos os dias eu olho pro bonsai e sinto afeto
aquele sorriso
que ofertamos
até mesmo para aqueles que não veem
o bonsai tem seus limites
de toda a sua potencialidade arbórea
muito pouco se concretizou.
ainda assim, seus frutos são grandes e doces
em nada ficam a dever para suas irmãs gigantes
se não dá tantos, é porque não consegue
não tem os meios
mas faz tudo o que pode
sempre gratos ressaltamos
se, por descuido, passam-se dois dias e ninguém repara
o bonsai logo sente
as folhas amarelam. secam. caem.
de dois dias nunca passou
amamos o bonsai e cuidamos dele
foi presente de um amigo querido
Te sinto cada dia mais longe.
M
de 25 de Junho de 2016
Amor, meu grande amor,você conhece o significado disso tudo?
Se o abraço não sabe terminar, quem saberia?
Amor, meu grande amor,
te espero na última esquina.
Faço um desvio para o seu caminho
Tomara que você também faça
E o encontro possa ser nossa morada.
Amor, meu grande amor.
Tão diferente de tudo que eu conheço.
Me divirto com suas estranhezas familiares
me apoio na certeza de um instante eterno
me satisfaço com um olhar de afeto
que vejo a refletir o infinito
Amor, meu grande amor.
Te quis por mais um pouquinho
todos os anos por vir já me bastariam.
Amor, meu grande amor,
nos despedimos antes da hora marcada.
não sou grande, meu amor, mas fui inteiro.
Amor,
seu grande amor
há de estar ainda a sua espera
na próxima esquina, talvez.
ande mais atento a cada passo
e as flores da calçada
cuida de si
dos seus medos monstros
da ansiedade
da garrafa de água da geladeira
ainda assim eu te peço,
sem que seja para ficar.
Quando me reencontrar
meu grande amor
me reconheça
amor,
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