Te fazer uma música no meio da madrugada
louco de sono
de olhos bem abertos
e delirantes
Juntas o que resta
de objetos
memórias
dignidade
e te entregar
Pegar as coincidências
ironias do destino
sua cama nova
as aparições palpitantes no meu celular
esquinas do centro da cidade
e jogar tudo pela janela
do 12o
no bueiro
do tempo-espaço
na falta de sentido
de uma noite passada a limpo
olhando pro teto
vendo você
Quem rima sabe o que vai acontecer
quando chegar ao fim do próximo verso?
Eu não sei
bastaria acabar a noite
sem preceber
conduzido por um sonho absurdo
muito mais lógico que esses dias
de ódio endêmico
amores sem-teto
colapso humanitário
É bonito isso de a tinta combinar com o esmalte
tudo tão sanguíneo
Já que sua presença insiste em rondar
noites claras de cama não acolhedora
tenha a fineza
apague a luz
me faça um cafuné
um estribilho
deite-se comigo pra diminuir o vazio.
Vem, solidão.