quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

de repente

Quem foi que ti disse
Que era tão simples?
Falar que me amavar
Fugir sem perdão.

De onde partia
A estrada infinita,
Morada das curvas
por onde há razão?

Pra que essa raiva?
De onde esse mando?
Pra que o teatro?
Ser crú é tão bom!

Queria dizer-te,
Queria calar-te,
Mas lágrias ridas
São contradição.

Se soubesse amar-me
As bodas de outrora
Deixaria o azedo,
Cuspiria seu medo,
Viveria mais cedo,
Chegaria de não.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Carta do Não Adeus

Esta não é outra senão a mesma, mas com a revisão que a muito tempo merecia. Deveria na verdade apenas editar o texto antigo, mas tenho um apego infantil ao passado, não sei me desfazer das coisas, por mais ultrapassadas, inúteis ou ruins que sejam. Ironicamente este também é o assunto da carta. Leia-se esta somente, a outra fica esperando minha vontade de seguir em frente.



12 de Dezembro de 2009
Querida Amada,






Escrevo-lhe na iminência de sua não leitura. Que outra forma para dizer tão claramente os vorazes pensamentos que trancafiei na mobília de vidro? Se não (se) importa, Lagartinha, preciso desafogar o coração. Ei-lo aqui, nesta mesa. Vê o quanto está necrosado? É o sangue que evita os pedaços mais incômodos, extirpando a vida de uma parte intrínseca de mim. Serão as letras meu bisturi, e você minha audiência ilusória, assistente indispensável a delicadíssimo procedimento.
Sabe aquela vez que deitamos na grama, a imaginar nomes que saltavam traquinas entre os galhos mais altos das árvores observadas? Ou quando trocamos tripas ensangüentadas pela rede? Aquela vez em que, entre gestos de ternura, sua mãe nos assustava de longe com o fantasma de sua presença - sem conseguir, contudo, afastar a sensação de completude? Sabe aquela rotina desesperadoramente breve, de flores e sofás, almoços e computadores? Pois confesso que não os joguei fora - como seria socialmente saudável se fazer; velharia varrida pela boca afora, enquanto se arruma a casa para a próxima visita. Eu os trancafiei neste maldito baú, esperando contra minha vontade que você voltasse a habitar em mim, para mostrar-lhe orgulhoso que já sabia de seu retorno, e que esperaria para sempre se preciso. Nada cabe melhor ao fazer poético que amores impossíveis, imateriais, irresolúveis e imutáveis. Mas finais felizes se resguardam para a irrealidade proposital dos filmes. E para nós, o que pensas que há de ser? Da sua vida já me destes a resposta: A fuga, o levianismo, a autocrueldade. Que pensas que me cabe melhor? A estagnação? Creio que faria muito bem (secretamente, é claro) para sua vaidade; não existe prazer mórbido que se compare a ser inesquecível, arranhar e sair lisa de qualquer reciprocidade.
Parar, eu sei, seria o teu pedido. Diria para deixar cicatrizar as feridas antigas, largar o lixo até que apodreça e se desfaça sozinho. Isso se não fôsseis uma mera alucinação de conveniência e, portanto, convenientemente muda. Ao menos dessa vez, o egoismo redondo. Eu nunca adentrei por campos tão inóspitos com ninguém. Veja o capim alto, o cheiro de morte e azedume que enlaçam minhas pradarias, dantes tão verdes e frutescentes. É claro que esta desagradável autópsia não foi minha primeira opção, muito menos a mais simples. Mas precisava... Entenda:
Nestes três anos interruptos de não correspondência, houve para mim vários afetos, que se esfacelaram antes mesmo de serem sabidos ou talvez sentidos das outras metades, me deixando sempre na cômoda posição de vítima do universo, permitindo cada qual mais alguns meses do luto secretamente procurado, revertido de forma indireta ou indiscreta para ti, misturado a invejinha de ver-te (bem?) acompanhada durante minha solidão. Nestas horas, todas as tralhas do baú se agitavam, urgindo carinhosamente seu nome. Mamava essas lembranças até me sentir tão cheio que adormecia encolhido no chão do sótão, no gasto casebre de madeira que fiz para abrigar-te do mau tempo dentro de minha ilha de finalidades conhecidas.
Se a Passividade do oceano não bastou para desfiar este nós, não existe distância ou tempo que o faça. Esses anêmicos dias de desencontro, portanto, não me cabem de razão. Voltei porque, pela primeira vez desde logo após, quis derrubar o altar de sua divindade, e em seu alicerce, construir algo que me proteja em vez de me agredir, e neste lugar aconchegante, morar com alguém especial, que insiste em mim! E da neblina desnorteadora de minhas estúpidas convicções, finalmente ouvi uma voz que chama sem cessar a primeira tentativa, e sua quentura, sua simplicidade brutal e sua meiguice mal escondida trouxeram-me a essa mesa, a esse bisturi, a essa tentativa de coragem de ir além das banais fronteiras imaginárias da minha felicidade. Quando a existência clamava que sim, me agarrei medroso ao baú, deixando na tempestade exterior quem mais merecia abrigo. Até quando?
Compreende agora? Foi por isso que criei este encontro, e depois de mundos gastos para manter a dor de sua ausência por perto, abri com chave até então inexistente a parte mais protegida de minhas memórias. Não havia outro jeito! Esperei que morressem, que desvanecessem, definhassem, evaporassem, que se matassem, esperei. Não perecerão... Pois que vivam! Mas vivam soltas por aí, livres e felizes, sem se preocupar com a tortura da eterna existência.
Tenho, sim, muitos porquês a apontar, muitas máguas pra cuspir-te na cara, as explicações mais minuciosas a exigir. Mas que voem também para fora, já que sua miséria não me faz mais feliz (e isto é certo, pois que vejo teu fosso crescer a olhos vistos), nem a minha prova a sinceridade de meus eternos sentimentos. Alonguei-me por demais. Tenho zilhões (e não duvide dos números!) de músicas pra cantar-te aqui, mas tiro agora o seu direito a todas elas, ficando para mim a vida que seguirá. Se for um homem de sorte, algum dia esquecerei seu nome, ou ao menos seus carinhos cruéis.
Desejo que seja muito feliz, e que eu, pela primeira vez, seja mais ainda. Talvez daqui a alguns dias eu pensenovamente um futuro lindo de comunhão, e pare para esperar.
Não.

Adeus.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Carta do Bom Adeus

Estava calor dentro. Era o álcool sentimentalizado. De um lado do portal, naquela cena cinematalizada, se encontrava um muito querido desconhecido. Em seu oposto, a água descia do céu e respingava os pés do autor. Trocavam lamentações muito íntimas, sem retribuir conforto ou esperar compreensão, imersos que estavam em seus vazios próprios.

“A minha maior dor é o meu amor"

Espantou-se com a beleza do que dissera, e fingiu modéstia para si e para o companheiro. Nunca havia dito algo tão profundo, que embora simplório e pouco digno de nota, transcendia a sua essência, e dias depois ainda ruminava aquela linha de verdade. Ficou triste com a pequenez da onda que atingira o companheiro, pois quando sua fala lhe calara a voz, fez ressoar em paradoxo todas as convicções da garganta que o encarava no ladrilho escuro. Era a primeira vez naquele dia cabalístico que sua carência viera nadar à superfície, seu desejo de ser abraçado e abafar sua dor (obviamente a sua somente) em peito amigo abafou-se sozinho em seu ego tímido e descolorido. Voltou a beber.

De tudo o que fizeram, do mais que falara e sentira na data planejada para a perfeição, nada comoveu-lhe como ele próprio, e soube que isto precisava ser dito. Pediu-me que escrevesse essa carta em seu nome, o que é fácil por demais; não assino por outros nomes.

21 de Outubro de 2009
Querida Amada,


Escrevo-lhe na iminência de sua não leitura. Que outra forma para dizer tão claramente os vorazes pensamentos que trancafiei na mobília de vidro? Se não (se) importa, Lagartinha, preciso desafogar o coração. Ei-lo aqui, nesta mesa. Vê o quanto está necrosado? É o sangue que evita os pedaços mais incômodos, extirpando a vida de uma parte intrínseca de mim. Serão as letras meu bisturi, e você minha audiência ilusória, assistente indispensável a delicadíssimo procedimento.
Sabe aquela vez que deitamos na grama, a imaginar nomes que saltavam traquinas entre os galhos mais altos das árvores observadas? Ou quando trocamos tripas ensangüentadas pela rede? Aquela vez em que, entre gestos de ternura, sua mãe nos assustava de longe com o fantasma de sua presença - sem conseguir, contudo, afastar a sensação de completude? Sabe aquela rotina desesperadoramente breve, de flores e sofás, almoços e computadores? Pois é, não os joguei fora como seria socialmente saudável se fazer; velharia varrida pela boca afora, enquanto se arruma a casa para a próxima visita. Eu os trancafiei neste maldito baú, esperando contra minha vontade que você voltasse a habitar em mim, para mostrar-lhe orgulhoso que já sabia de seu retorno, e que esperaria para sempre se preciso. Nada cabe melhor ao fazer poético que amores impossíveis, imateriais, irresolúveis e imutáveis. Mas finais felizes se resguardam para a irrealidade proposital dos filmes. E para nós, o que pensas que há de ser? Da sua vida já me destes a resposta: A fuga, o levianismo, a autocrueldade. Que pensas que me cabe melhor? A estagnação? Creio que faria muito bem (secretamente, é claro) para sua vaidade; não existe prazer mórbido que se compare a ser inesquecível, arranhar e sair lisa de qualquer reciprocidade.
Parar, eu sei, seria o teu pedido. Diria para deixar cicatrizar as feridas antigas, largar o lixo até que apodreça e se desfaça sozinho. Isso se não fôsseis uma mera alucinação de conveniência e, portanto, convenientemente muda. Ao menos dessa vez, agiremos pensando em mim. Eu nunca adentrei por campos tão inóspitos com ninguém. Veja o capim alto, o cheiro de morte e azedume que enlaçam minhas pradarias, dantes tão verdes e frutescentes. É claro que esta não foi minha primeira opção, muito menos a mais simples. Mas precisava... Entenda:
Nestes três anos interruptos de não correspondência, houve para mim vários namoricos, que se esfacelaram antes mesmo de serem sabidos ou talvez sentidos pelas outras, me deixando sempre na cômoda posição de vítima do universo, permitindo cada qual mais alguns meses do luto secretamente procurado, revertido de forma indireta ou indiscreta para ti, misturado a invejinha de ver-te (bem?) acompanhada durante minha solidão. Nestas horas, todas as tralhas do baú se agitavam, urgindo carinhosamente seu nome. Mamava essas lembranças até me sentir tão cheio que adormecia encolhido no chão do sótão, no gasto casebre de madeira que fiz para abrigar-te do mau tempo dentro de minha ilha de finalidades conhecidas.
Se a passividade do oceano não bastou para desfiar este nós, não existe distância ou tempo que o faça. Esses anêmicos dias de desencontro, portanto, não me cabem de razão. Voltei porque, pela primeira vez desde logo após, quis derrubar o altar de sua divindade, e em seu alicerce, construir algo que me proteja em vez de me agredir, e neste lugar aconchegante, morar com alguém especial, que insiste em mim! E da neblina desnorteadora de minhas estúpidas convicções, finalmente ouvi uma voz que chama sem cessar a primeira tentativa, e sua quentura, sua simplicidade brutal e sua meiguice mal escondida trouxeram-me a essa mesa, a esse bisturi, a essa tentativa de coragem de ir além das banais fronteiras imaginárias da minha felicidade. Quando a existência clamava que sim, me agarrei medroso ao baú, deixando na tempestade exterior quem mais merecia abrigo. Não mais.
Compreende agora? Foi por isso que criei este encontro, e depois de mundos gastos para manter a dor de sua ausência por perto, abri com chave até então inexistente a parte mais protegida de minhas memórias. Não havia outro jeito! Esperei que morressem, que desvanecessem, definhassem, evaporassem, que se matassem, esperei. Não perecerão... Pois que vivam! Mas vivam soltas por aí, livres e felizes, sem se preocupar com a tortura da eterna existência.
Tenho, sim, muitos porquês a apontar, muitas máguas pra cuspir-te na cara, as explicações mais minuciosas a exigir. Mas que voem também para fora, já que sua miséria não me faz mais feliz, nem a minha prova a sinceridade de meus eternos sentimentos. Alonguei-me por demais. Tenho zilhões (e não duvide dos números!) de músicas pra cantar-te aqui, mas tiro agora o seu direito a todas elas, ficando para mim a vida que seguirá. Não resistirei a deixar-te uma de lembrança: Me deixa em paz.

Desejo que seja muito feliz, e que eu, pela primeira vez, seja mais ainda.
Bom...

Adeus.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Gracias a Mercedes

Uma hora eu ganhei pra mim, perdida em genética pelo que me estabeleceram. Em meu transporte indeciso, ouvi nostálgico aquelas belas palavras, que bailavam esperança e coragem. Em minha rotina, a certeza absurda de que repetindo rituais o mundo vai me esperar intacto, dando-me tempo para saboreá-lo inteiro. Passava fluente pelo anfiteatro das cigarras quando, de assalto, veio o fim e disse: "muda!". Marejei-me, de forma tão espontânea que reparei em mim mesmo, e quis parar, esperando que braços sofridos me envolvessem, dissolvendo aquele soluço escondido.

Por mais que se fale, relembre, chore e cale, a vida vai arrastando os que persistem para fatos outros, os mortos são seixos que não rolam mais. A amargura desses momentos é aprender a cultivar o lodo vindouro, sozinhos em algum ponto turvo do rio.

Encontrando como, louvaria a força da voz dos fracos, a poesia dos famintos, a doçura dos malditos, mas continuo letárgico como estivemos desde a aurora, e não consigo fazer mais do que lamentar, numa homenagem silenciosa, estagnada.

Duerme
, duerme, La Negra; frágil resquício do poderoso sonho de união, que se perdeu na desesperança das décadas ágeis, embriagadas, solitárias. Guardarei em minha ilha uma edição de tocantes palavras, cantadas por um timbre ventríloco, que fingia provir de garganta, quando habitava a alma, paragem etérea da pureza insistente. Vejo que foi com elas que encontrei-me muitas vezes, perdido de mim e do mundo, e foram meus vaga-lumes secretos, sutilmente revelando o óbvio, afastando os monstros, levando-me à fonte límpida da entrega de si mesmo: amor.

Gracias
a la vida, que me ha dado ella.

domingo, 13 de setembro de 2009

Intimidade

Bom dia, Eu.

Você pode não se lembrar de mim, faz muito tempo que não nos falamos. Não sou nenhuma parte concreta ou densa de você, como a consciência, a razão, ou mesmo o seu "membro" físico coração. Talvez por isso nos vejamos tão pouco, minha subjetividade é tão grande que minhas dúvidas existenciais são básicas como a própria existência; tenho medo de decifrá-las e, sem explicação plausível, desaparecer. Por isso não apareço muito...
Mas de intangível já me basta a vida, queria falar-lhe com mais solidez. Sabe, mEu querido, não tenho outra alegria se não as suas esparsas visitas. Também não tenho outras tristeza, outras amarguras, outras cóleras, outras compaixões se não as tuas. E como me fazem falta! Não tens idéia do que é se sentir morto em vida (vida que, ainda assim, continuo sem saber se tenho!), não levar consigo senão o vazio frio que me impõe a apatia desses dias esquecidos.
Venho portanto, depois de tanto tempo abandonado à minha própria sorte infortúita, propor um acordo. Leva-me comigo! Ne me quitte pas. Se me aceitares como parte do Mim, acordar-me-ei amaldiçoando os dias cinzas, chorando com a enxurrada e aurindo em grandes haustos a manhã, para encher de azul teus pulmões ainda sonhadores. Posso fazer rir, posso gargalhar contigo. Contarei piadas que jamais sairão de nós, mas terão mais graça e sentido que todas as ironias da vida reunidas para o chá das cinco na sala de jantar. Viajando pelo mundo, apontarei todas as figuras exóticas que talvez não compreenderas, por não enterder sua linguagem, mas ainda assim contemplaremos juntos sua beleza. Quando estiver cansado de lutar, arrumo a cama e deito ao seu lado, para sonhar também, com cores fortes e metáforas tão esdrúxulas que irá crer no que disserem os duendes.
Não me faça implorar, nem só de canções emprestadas pode se manter um homem! Veja, não precisa disfarçar. Conheço-me como ninguém, mais do que Eu mesmo. Se fico a lamentar minha solidão, sei que ela invade nosso ser por inteiro, e que a maior bobagem que fazemos é nos afastar, quando isto poderia render horas e horas de conversa das mais prazerosas, como poucas vezes Eu permiti acontecer. Parece (e provavelmente é, mas tenho licença poética para isso) um cliché, mas uma olhadinha pra dentro pelas janelas d'álma, bater na porta as vezes pra tomar um cafezinho e emergir do mundo lá fora, fariam muito bem...
Enfim, espero que não percamos o contato, como fazem os conhecidos que se gostam o bastante pra abraçar apertado mas não o suficiente pra compartilhar a essência, e preferem dizer com uma quase sinceridade: "Não some não", logo depois se recostando no sofá junto a preguiça, esquecendo o interlocutor até que o próximo acaso nostálgico os una em presente no passado.

Com todo o meu coração metonímico (quem me dera um literal, para sangrar todas as letras que saem dele!),


Eu-lírico

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Calmaria

Escorre de mim uma torrente de sei lá o que. O dia não foi tudo o que podia ser, mas nem por isso entendo de onde vem essa tristeza que a tão pouco tempo adentrou deseducada, sem pedir licença ou se preocupar se iria incomodar. E incomoda.
É engraçado saber que toda a dor do mundo cabe em um só ser, nem que seja por pouco tempo, enquanto a apatia se distrai olhando a chuva e a alegria se cansa de correr atrás de si. Agora me lembro, que em meu sonho chorei copiosamente, lágrimas tantas que creio nunca ter derramado enquanto na inconsciência da realidade. Foi assim que chorou minha mãe, também em sonho, quando vovó viajou...Um dia antes de meu primeiro encontro com a despedida,vi seu rosto inchado e soluçante, e sua dor me doeu tanto que acordei com as mesmas lágrimas, apagadas do amanhecer pelo véu de outros sonhos. Dias mais tarde encontrei, perplexo, esta lembrança, enquanto remexia nos porões de mim mesmo a procura de consolo para a inconsolável verdade.
Encontrei entre um parágrafo e outro, uma mágoa pra chorar, e nem por isso achei forma de soltá-las de mim. Pois que se não consigo diluir esse aperto em águas salinas, sei que tenho, ao menos, palavras escritas para carregá-lo, pouco a pouco, para outros ventos, como pássaros a dispersar sementes. Mesmo que daninhas, são vivas, e trazem o poder de despertar do sonho de rotina aquele que lhes permitir brotar.
Ó, palavras, minhas amigas e confidentes dos momentos mais cheios de vazio, digam a quem quiser saber que o sentimento, mesmo que seja a coisa mais fina do mundo, é ferida que quando aberta pelo próprio coração, não cicatriza jamais, e é insensato por natureza, na sua beleza (naturalmente) inconseqüente.
Dito isto, esperarei sentado por hoje pelo retorno da vontade gostosa de viver, de sentir a brisa e amar sua existência secreta, de boiar sem medo das ondas e com as ondas brincar de ser feliz. Como invejo quem sofre a queda e sabe se levantar.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Do acaso, o sentimento, a razão e minha (in)sanidade

Não se pergunte sobre este título. Hoje, tudo o que aqui se escreverá será impensado, indefinido, surreal. Se meus dedos escrevem, é porque lhes apraz, e quem seria eu para impedi-los (mais uma vez) de realizarem alguma coisa.
Nada poderia me decepcionar mais neste mundo que minha própria apatia: Essas tardes planejadas na hora de dormir como interessantes, produtivas, progresso. Mas que se desenrolam em sono atrasado e atividades rastejantes, para culminar com uma compensação absurda do tempo perdido, passado na madrugada.
Estupidamente me perco com tanta facilidade nos planos do imediato, que deixo de fazer o planejado para o então.
Olha só, já lhe disse para não quebrar a cabeça: São dizeres jogados na tela: sem cuidado, sem borilamento, sem gramática ou carinho.

Mas é que as vezes vem no coração um fogo, que da vontade de sair pulando feito um doido pelas ruas, a procura dos desperdícios de uma vida fria. Que Deus me perdoe, porque o tempo não volta e minha lucidez não dura mais que o comercial. Depois vem a preguiça, que consome sonhos com larvas de nada.