Uma hora eu ganhei pra mim, perdida em genética pelo que me estabeleceram. Em meu transporte indeciso, ouvi nostálgico aquelas belas palavras, que bailavam esperança e coragem. Em minha rotina, a certeza absurda de que repetindo rituais o mundo vai me esperar intacto, dando-me tempo para saboreá-lo inteiro. Passava fluente pelo anfiteatro das cigarras quando, de assalto, veio o fim e disse: "muda!". Marejei-me, de forma tão espontânea que reparei em mim mesmo, e quis parar, esperando que braços sofridos me envolvessem, dissolvendo aquele soluço escondido.
Por mais que se fale, relembre, chore e cale, a vida vai arrastando os que persistem para fatos outros, os mortos são seixos que não rolam mais. A amargura desses momentos é aprender a cultivar o lodo vindouro, sozinhos em algum ponto turvo do rio.
Encontrando como, louvaria a força da voz dos fracos, a poesia dos famintos, a doçura dos malditos, mas continuo letárgico como estivemos desde a aurora, e não consigo fazer mais do que lamentar, numa homenagem silenciosa, estagnada.
Duerme, duerme, La Negra; frágil resquício do poderoso sonho de união, que se perdeu na desesperança das décadas ágeis, embriagadas, solitárias. Guardarei em minha ilha uma edição de tocantes palavras, cantadas por um timbre ventríloco, que fingia provir de garganta, quando habitava a alma, paragem etérea da pureza insistente. Vejo que foi com elas que encontrei-me muitas vezes, perdido de mim e do mundo, e foram meus vaga-lumes secretos, sutilmente revelando o óbvio, afastando os monstros, levando-me à fonte límpida da entrega de si mesmo: amor.
Gracias a la vida, que me ha dado ella.
4 comentários:
"lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber. ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento."
mas a memória, a memória é uma...
ilha de edição
Só alma tão rica e alva quanto o timbre de trovão é capaz de derramar homenagem tão doce e pura. Sou toda orgulho, como de costume.
amor,
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