quinta-feira, 28 de julho de 2016

Madrugada

Madrugada, 28 de Julho de 2016
Todas as cartas de amor são ridículas
foi pessoa quem me disse
apenas não me informou
como deixar de escrevê-las

penso agora no livro que te dei
com dedicação
e nunca leu

vejo sua figura que chega
inesperada
a aparência mudada
quero criticar
ignorar
mas eu gosto.

Passado o desentender meu estado de calamidade
passada a indiferença ao meu desespero
te vejo, santo, a estender os braços
um gesto de quem ama sem fogo
de quem quer metades.
a compaixão do capataz
não faz aliviar a dor

Agora que te vejo sóbrio
vejo a sombra do que um dia foi
meu sonho de que um dia fosse
ou aquilo que completei
o que lhe faltava
eu tirei de mim e lhe dei
mas o que é meu só vive assim,
comigo perto.

Esta poesia eu não lhe entrego.
Ela é toda minha, ainda que ainda fale de você
o que dei está dado, o que recebi não foi cobrado.
Me esvazio de ti em tinta e papel
assim durmo mais tranquilo
sobra mais espaço na cama sem a sua memória inquieta a rolar e roubar cobertas.

Pessoa me recomendou também:
não faça como gente vulgar.
vou evitar
se te vir - e verei
dar-te-ei um abraço. E segurei, e seguirei, e seguirei

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