sábado, 7 de agosto de 2010

poema ideal (a princípio)

Quero ver se me arranhavas-me
Sim, sinto as mordidas contra o vento
(a lógica não merece elogios
é óbvia, reta, enfadonha)

Desvarios-diamantes, brilhos
olhos ofuscantes
não aguentaria
encarar a verdade
as sinuosas intenções por trás dos gestos
por trás do vidro
que me fita sem dizer palavra ou alma
mas que adivinho
(cândido masoquista)
da forma mais convenientemente errada possível
deixo o sono me trazer de volta ao mundo
que sonho que sinto que sou
do qual eu saio pra atuar em carne
até que exausto
ganho direito a passagem
volta as brumas
em minha casa

  estou
rest ou
 restou
      ou...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Dilá

Vim falar do morto que me incomoda o sono
rolando no caixão a zombar da terra que lhe joguei [por cima
Vim falar do sexo quente diamor frio
alegria cansada da qual não se desgruda um peito [desmamado

mas o leve atmosférico levitou a mim
vou deixar os temas pesados
.................no chão.............
e
dormir
                                                                                                ..................................
                                                                                                          no teto

feliz de mim,
acredito no que me dizem
é muito, claro. demais.
mas por hoje
é na medida

agradecimento
sem obrigação
de eu
todo seu
nosso
lugar comum
o (bom) dia

domingo, 30 de maio de 2010

azul carmim

leve manhã de cobertas
como é fácil despertar
o corpo não pesa
a memória não castiga
o peito não afoga
o mundo enfim
um bom lugar

braços intermunicipais
vão saltitantes
meu palíndromo abraçar
prevê o presente
explica os viveres
com palavra, melodia
com vida sua
passo seu
estrada minha
destino nosso
dois ser no mesmo lugar

de tão sutil abrir os olhos
perdi toda a carga poética
meu drama particular
aluguei vendi ou doei
tirei do sótão, limpei
me desfiz do que fazia estas palavras
...
...
que outras fontes encontrarei?
...
...
não sei.
...
...
melhor uma vida sem arte
que a dor das crias
esmirradas e tolas
que aos outros dediquei

se biólogo
se ator
se palhaço
ou escritor
homo felix
viver-me-ei