segunda-feira, 8 de maio de 2017

Tarde agora, lá fora

Aquelas tardes
o sol morno
a casa silenciosa
as expectativas dormem
nada a fazer
existir

Era tarde
aquele dia que não voltaria
um contemplar agudo
o medo implícito
a tentativa de gravar na pele
o sopro que passava
e nós agradecemos
em silêncio

Foram tardes
uma mescla de ocasiões semi-perfeitas
cobertas pela poeira da nostalgia
brilhando o sol que deita
a despedida

Fez-se tarde
as manhãs desalentadas em que desperto
perco a memória
e a esperança

Muito tarde
(ou seria cedo pra lamentar a junventude perdida?)
meus amores desencontrados
o tempo mais rápido que eu
o coração que encolhe
atrofio

Fim de tarde
sem saber aonde por o sol
pode ser que nunca mais encontre
as tarde que vivi
não arejei
podem estar mofadas
imprestáveis
mas ainda assim, as quero
peço que retornem
aceito-as como estiverem

Quem as encontrar
diga de mim
falem da saudade inconformada
das eternas tarde de amor que jorrava
como se nunca fosse ser tarde
como se nunca tivesse fim.

Nenhum comentário: