segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Calmaria

Escorre de mim uma torrente de sei lá o que. O dia não foi tudo o que podia ser, mas nem por isso entendo de onde vem essa tristeza que a tão pouco tempo adentrou deseducada, sem pedir licença ou se preocupar se iria incomodar. E incomoda.
É engraçado saber que toda a dor do mundo cabe em um só ser, nem que seja por pouco tempo, enquanto a apatia se distrai olhando a chuva e a alegria se cansa de correr atrás de si. Agora me lembro, que em meu sonho chorei copiosamente, lágrimas tantas que creio nunca ter derramado enquanto na inconsciência da realidade. Foi assim que chorou minha mãe, também em sonho, quando vovó viajou...Um dia antes de meu primeiro encontro com a despedida,vi seu rosto inchado e soluçante, e sua dor me doeu tanto que acordei com as mesmas lágrimas, apagadas do amanhecer pelo véu de outros sonhos. Dias mais tarde encontrei, perplexo, esta lembrança, enquanto remexia nos porões de mim mesmo a procura de consolo para a inconsolável verdade.
Encontrei entre um parágrafo e outro, uma mágoa pra chorar, e nem por isso achei forma de soltá-las de mim. Pois que se não consigo diluir esse aperto em águas salinas, sei que tenho, ao menos, palavras escritas para carregá-lo, pouco a pouco, para outros ventos, como pássaros a dispersar sementes. Mesmo que daninhas, são vivas, e trazem o poder de despertar do sonho de rotina aquele que lhes permitir brotar.
Ó, palavras, minhas amigas e confidentes dos momentos mais cheios de vazio, digam a quem quiser saber que o sentimento, mesmo que seja a coisa mais fina do mundo, é ferida que quando aberta pelo próprio coração, não cicatriza jamais, e é insensato por natureza, na sua beleza (naturalmente) inconseqüente.
Dito isto, esperarei sentado por hoje pelo retorno da vontade gostosa de viver, de sentir a brisa e amar sua existência secreta, de boiar sem medo das ondas e com as ondas brincar de ser feliz. Como invejo quem sofre a queda e sabe se levantar.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Do acaso, o sentimento, a razão e minha (in)sanidade

Não se pergunte sobre este título. Hoje, tudo o que aqui se escreverá será impensado, indefinido, surreal. Se meus dedos escrevem, é porque lhes apraz, e quem seria eu para impedi-los (mais uma vez) de realizarem alguma coisa.
Nada poderia me decepcionar mais neste mundo que minha própria apatia: Essas tardes planejadas na hora de dormir como interessantes, produtivas, progresso. Mas que se desenrolam em sono atrasado e atividades rastejantes, para culminar com uma compensação absurda do tempo perdido, passado na madrugada.
Estupidamente me perco com tanta facilidade nos planos do imediato, que deixo de fazer o planejado para o então.
Olha só, já lhe disse para não quebrar a cabeça: São dizeres jogados na tela: sem cuidado, sem borilamento, sem gramática ou carinho.

Mas é que as vezes vem no coração um fogo, que da vontade de sair pulando feito um doido pelas ruas, a procura dos desperdícios de uma vida fria. Que Deus me perdoe, porque o tempo não volta e minha lucidez não dura mais que o comercial. Depois vem a preguiça, que consome sonhos com larvas de nada.

sábado, 1 de novembro de 2008

os sonhos não envelhecem

Esta época de formaturas... São momentos de muito inspiração para mim, como seria a água do chuveiro para outros. Quando me acho no conforto de meu quarto, protegido da agitada vida noturna dos que celebram, sinto vontade de escrever todos os meus desejos e expectativas, quanto ao futuro que não tarda, ou ao que talvez nem chegue.
Depois de drinks, serrarias, vexames, savassis, açaís, me deitei com um já montado conto sobre um feto e sua visão do que viria, mas ele se esvaneceu quando abri os olhos aquela tarde. Gostaria de reencontra-lo um dia. Saber o que a realidade lhe deu de doce e o que lhe arrancou amargamente. Se valeu a pena.
O sol desponta e estou aqui, planejando o intangível com uma exatidão de Lego. Vai saber... Vou fazer apenas a segunda etapa de um teste difícil que ainda nem se quer excluiu candidatos, mas já sinto a maravilha de estudar na casa das Artes Nobres. Atravessei a avenida definindo que da Biologia pouco farei por prazer, pois minha consciência exigirá uma atitude pelo planeta. Por amor as causas perdidas...
A estadia na Itália vai ser deslumbrante. Terei passado no vestibular, arranjarei um emprego, viverei uma vida curta, mas feliz, ao lado da serella querida. Aproveitarei para ser reconhecido como cidadão da pizza, darei uma voltinha pelo velho continente.
É hora da prova, meu tempo se esvai sempre muito mais rápido do que eu queria que ele o fizesse. Só queria dizer que estes sonhos, mesmo que as vezes infantis e irreais, me sustentam. Quero sonhar quando tiver com noventa aniversários, planejar um amanhã bem gostoso. O corpo morre. Os sonhos são para a eternidade.