Depois de brisas, chuva fina, temporais, ventanias, granizo na boca do estômago, mormaços e outras instabilidades meteoro-sentimentais chega um dia azul-abril, parece que o tempo vai firmar.
Aí vem a noite, uma lua dita linda compartilhada sem aproximação. E todo o caos lá fora poderia mesmo passar, e todos os dias poderiam ser previstos como bons tempos, mas foi aqui - na terra batida que pisamos dormimos e rolamos - que por descuido e vinho vieram ressecamentos, que viraram rachaduras, que tremeram a terra e causaram o nosso desabamento. Dessoterrado dos destroços, eu procuro reconstruir o alicerce e acreditar nas promessas promissoras, ou num único hoje ensolarado sem partes nubladas. Acabei de entender - acho que vi n(o reflexo d)a TV - que o ruir do meu chão pode ter sido em um segundo de desdedicação, mas reverberou longe onde nem da pra ver, e de tempos em tempos, sem aviso prévio ou sirene, vai vir uma onda carente me abraçar, me lamber e levar os pedaços que custei a juntar do que havia pra me segurar.
Certo dia cansarei de insistir na minha cabaninha abafada de lona mal feita - constantemente subitamente desfeita - e repousarei a luz das estrelas, no relento do meu mundo, na certeza de amar essa beleza, selvagem carinho, na felicidade de me deitar em mim
Até lá
4 comentários:
'Irmão, um dia aprenderemos a entender a entranha' ;) e até lá e depois estaremos juntos em um. Amor,
embaixo da lona, em cima do palco...
acho que é assim que agente vive.
amo vc!!
LORENA
na verdade, é debaixo, rs...
tem que ser eu mesmo, né???
carinhos muitos...
LORENA
nesses dias vão crescer pêlos espêssos na nossa pele.
seremos um jardim no teto, teto vivo.
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