domingo, 17 de abril de 2011

(a)(o)mar

Depois de brisas, chuva fina, temporais, ventanias, granizo na boca do estômago, mormaços e outras instabilidades meteoro-sentimentais chega um dia azul-abril, parece que o tempo vai firmar.
Aí vem a noite, uma lua dita linda compartilhada sem aproximação. E todo o caos lá fora poderia mesmo passar, e todos os dias poderiam ser previstos como bons tempos, mas foi aqui - na terra batida que pisamos dormimos e rolamos - que por descuido e vinho vieram ressecamentos, que viraram rachaduras, que tremeram a terra e causaram o nosso desabamento. Dessoterrado dos destroços, eu procuro reconstruir o alicerce e acreditar nas promessas promissoras, ou num único hoje ensolarado sem partes nubladas. Acabei de entender - acho que vi  n(o reflexo d)a TV -  que o ruir do meu chão pode ter sido em um segundo de desdedicação, mas reverberou longe onde nem da pra ver, e de tempos em tempos, sem aviso prévio ou sirene, vai vir uma onda carente me abraçar, me lamber e levar os pedaços que custei a juntar do que havia pra me segurar.

Certo dia cansarei de insistir na minha cabaninha abafada de lona mal feita - constantemente subitamente desfeita - e repousarei a luz das estrelas, no relento do meu mundo, na certeza de amar essa beleza, selvagem carinho, na felicidade de me deitar em mim

Até lá

4 comentários:

Carolina Arantes disse...

'Irmão, um dia aprenderemos a entender a entranha' ;) e até lá e depois estaremos juntos em um. Amor,

Anônimo disse...

embaixo da lona, em cima do palco...

acho que é assim que agente vive.

amo vc!!


LORENA

Anônimo disse...

na verdade, é debaixo, rs...
tem que ser eu mesmo, né???

carinhos muitos...

LORENA

marcos assis disse...

nesses dias vão crescer pêlos espêssos na nossa pele.
seremos um jardim no teto, teto vivo.