Das coisas que nos dizem e não compreendemos e nos arrepiam. De onde vem essa sabedoria? Tenho dos sonhos alheios uma certa vergonha, como se suas ingenuidades fossem despudores, expostos demais para o meio-dia - porque não os deixamos embaixo do travesseiro, protegidos em penumbra, abafados do clamor da vida? Sei que prefeririam, mas quando me vem em doses altas, também não os resisto; destilo.
As certezas cada vez mais escassas, os dias entre sustos e apatias, os encontros matando urgências e a rotina não sacia. De bocas conhecidas as mais diferentes tristezas me vem encontrar todos os dias. Respiro. Já não tenho as respostas e a voz animadora que antes cultivava a mel e companhia. Meus conselhos são duros, minha esperança estiada. Já não faço distinção entre as dores tantas, as sangrentas e as brandas. As minhas não as encontro, parece que nunca as tive. Vim a observar e meus olhos crescem a olhos vistos. Não sei se astigmata, mas tudo adquiriu uma opacidez, os limites e as individualidades já não se distinguem e eu preciso tocar para saber exatamente a quem me dirijo. Sinto quem sente e silencio.
A minha nudez é que ainda acredito, e acredito muito. No Amor, nas pessoas, no mundo. Em Deus, ou qualquer coisa parecida que tem uma lógica muito louca que cada um entende um pouquinho mas jura que a do outro é outra e muito mais louca, impossível, invisível, muda. Creio que sim. Sim, creio que creio.
Se eu olhasse a realidade assim, despreparadamente crente, seria tão forte como ser um sonho ao sol direto, o desespero de ver as coisas como deveriam e não são - algumas que são e fingem que não, outras que juram: jamais serão. É preciso cautela, o mundo não se vive todo de uma vez - a dose é maior que o fígado e a alma se corrompe em cirrose se baila sempre embriagada em nudez. Deixa ser, que um dia as coisas se ajeitam. Hoje é hoje e não há mais nada que Hoje possa ser.
O pôr do sol é o meu favorito do dia. Um segredo óbvio, mas suaviza.
terça-feira, 11 de novembro de 2014
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
feio
08 de Julho 2012
Quando te beijo
você me cospe
Quando te abraço
você me larga
Quando te aliso
você me lixa
Quando te encontro
você se perde
Quando te amo
você me repele
(mas que verso mais ordinário que é feio e não da pra concertar!)
E quando me calo
você me ouve
quando te deixo
você me volta
quando decido
você me implora
quando me livro
você me amarra
quando pra frente
você retorna
quando desisto
me adora
se enfim amoleço você vai embora
Filho da Puta seu quereres não merece respeito ou simpartia; Despota da minha felicidade, se o que juras ser é(,) amor, vá embora.
(só um) sonho de uma noite de inverno
12 de Junho 2012
Essa foi a baladado amor que durou um mês
e morreu de sede.
Da sua sombra e adubo
germinou semente esquecida
deixada por um Amor que morreu.
Da Árvore que pretende ser
ainda pouco se sabe
Mas que é verde se vê
o mais se verá ainda.
20 de Agosto
foi engando, difícil explicar.
acreditar então... melhor não comentar.
deixa
p r a
lá
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