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Floripes bonita e calma
das mais antigas da cidade
cercada de corpos (hoje) frescos
seus primeiros dias
- flor da idade -
(hoje) ninguém sabe, ninguém viu.
ninguém lembra.
Floripes e a sombra das árvores
o almoço simples
o ritmo lento
uma mesa
hoje
repousando na calçada
Florípes e os carros
hoje
barulhentos
velhos rabugentos
meninos traquinas
um susto (hoje), um surto de incômodos
no meio da madrugada.
Floripes a guardiã da vida
hoje silenciosa.
agitada no horário de todos
por ela hoje passam, ficam ou não
crianças do bê-a-ba
mendigos, famílias, gordas senhoras, médicos e enfermidades
forasteiros
irmãs branquinhas
e os bêbados que riem alto em sua cabeça
tentando na labuta de todos os dias
esquecer hoje
todos os dias
nela muita vida há
hoje vive.
muitas casas, muitos sapatos,
alguns hoje descalços,
todos a conhecem pelo nome
se hoje a chamam,
não responde.
aceita as pisadas e os calos,
agradece a limpeza
a televisão a lhe falar do mundo
hoje.
Ontem foi assim?
não, ontem nunca foi.
Floripes a primeira dama-flor-rua da cidade
tem memórias de todos os tempos
hoje não lembra onde
guardou
acha algumas jogadas
fragmentos de outros
hoje
Floripes hoje esqueceu
o amor que recebeu
ontem
antes de ontem
antes de outrem
antes de seu eterno hoje
mas ela sabe, eu sei que ela sente
o amor que lhe cultivam
sempre
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
trans-verso
Para entender a vida
não-vida
parece batido
parece banal
poucos abrem as carnes
e não as comem
e menos ainda
o fazem com desgosto e curiosidade
sem saber escolher qual lhe quer mais.
chorando formol e rindo com os dentes dos outros
não-vida
parece batido
parece banal
poucos abrem as carnes
e não as comem
e menos ainda
o fazem com desgosto e curiosidade
sem saber escolher qual lhe quer mais.
chorando formol e rindo com os dentes dos outros
domingo, 19 de setembro de 2010
23 de Agosto
E triste,
em seu choro desflorador
parecia as palavras que
- até então - não pareciam suas. Foi soltando como barro os punhados de amor putrefato que se acumulava nos rins e eu via a janela do computador refletida em sua pele mal querida
E linda,
era tão sua que parecia um poema.
Um poema em prosa.
24 de Agosto
A tristeza das minhas alegrias
é matéria bruta
é matéria prima
é o que move e o que mata a minha rima-poesia
E triste,
em seu choro desflorador
parecia as palavras que
- até então - não pareciam suas. Foi soltando como barro os punhados de amor putrefato que se acumulava nos rins e eu via a janela do computador refletida em sua pele mal querida
E linda,
era tão sua que parecia um poema.
Um poema em prosa.
24 de Agosto
A tristeza das minhas alegrias
é matéria bruta
é matéria prima
é o que move e o que mata a minha rima-poesia
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