terça-feira, 13 de abril de 2010

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Cansei. Cansei mesmo. Isso obviamente não quer dizer que tudo acaba aqui. Mas chegar vazio em uma casa vazia é como constatar que o universo é, em verdade, vácuo. Agradeço sentido a todos os abraços que me empurram quase resistente para alguma alegria, mas queria saber maldizer os braços que não me abraçam ou que, quando fazem, deixam toda a intensa intenção  (re)querida faltar. Se sem permissão passei a ver o mundo com seus olhos, diz: como é que hei de enxergar, se suas lentes não me aceitam a visão?
Feiticeiros... Quem dera!
Verdes e sós, como o cactos do sertão.

Só não me olhe, é tudo o que ainda ouso pedir. Quem sabe um dia eles desistem e voltam para casa, para suas próprias órbitas inpreenchivelmente vazias.



Casa vazia
rosto vazio
pessoa coisa,
vida perdida;

da-me um beijo
recebe-me inteiro
deseja-me mesmo que feio
decida-se agora mesmo.

deixa pra lá
são só as minhas esperanças retirantes
ficam esperando a chuva
pra voltar
brotar da terra seca
morrer de fome
amar de novo tudo aquilo
que não presta. e não se
presta a renegar ou alimentar;
janto as migalhas de atenção.

Quando eu for mais forte,
e pegar de vez o trem pra longe
você chega na estação
seis segundos atrasados

é por isso que eu fico
é por isso que eu não fujo
pra fazer um final feliz
pra fazer você feliz
pra saber que enfim
você lembrou que era ontem
que eu partia
e sentiu vontade de voltar no tempo.

Parei ele só pra você. Agora não demora.

4 comentários:

marcos assis disse...

nossa. depois de eu ler isso, agora é que você tem que ler esses textos mesmo:
http://lupeixoto.wordpress.com/

Carolina Arantes disse...

também estou feliz por voltar.
não se esqueça: a sós ninguém está sozinho.
enfim. compartilho, vc sabe.
beijo

ana f. disse...

nusgaaaaa! poema lindo e forte e bonito e coitado e pedido de esmola na escada da igreja e dor e esperança, sempre esperança, verde como os olhos feiticeiros solitários.

lorena disse...

fina resitência calejada...vivida pele.