sábado, 30 de agosto de 2008

depois da vírgula, o recomeço

Faz muito tempo que este anseio ronda meu imaginário, formentando dedos para que busquem trabalho. Resisti. Com toda a sinceridade que me é possível, tive preguiça.
Queria ter um outro jeito de explicar isto, algo que não me lembrasse tudo aquilo que eu fujo em todas as manhãs de feira. Mas não tem. Me rendo, então, a verdade (felizmente não única, mas talvez absoluta) de que tudo é matemática.
Voltando ao meu raciocínio, sinto que as pessoas vivem em movimentos ondulares, então o que à um minuto é alegria no outro é tristeza, o que nos encanta em certo momento faz querer matar depois, e aquilo que parece tedioso e difícil, com o tempo transborda em urgência d'alma. Me encaixo (não só, obviamente) no último caso.
Se já dei flores um dia, quando rapaz, as que hora dou tem assaz melancolia. Está frase brotou agora neste teclado, e por mais que não me pertença, manterei. Agora, o impulso primeiro destas palavras, a "gota d'água", nos dizeres de ontem, foi o questionamento da minha frivolidade. Resolvi, portanto, me explicar, e faço isto com outro conto. Agora, como de hábito na arte da escrita, darei minha própria carne a deleite, como vejo outros tão próximos a fazerem, escancarando suas víceras aos médicos e aos abutres.

Um comentário:

Carolina Arantes disse...

a vírgula é uma esquina longa, mas é displicente, avessa à sua regra. Que essas fronteiras sejam tão imaginadas que beirem a existência duvidosa.
Abraço cheio de alegria!